Sono, carência e frio - três coisas doces de se sentir. Ela estava sozinha, podia fazer o que quisesse mas preferiu apenas curtir a solidão. Organizou coisas, tocou um pouco... Mas os acordes sairam mecânicos: transformar sensibilidade em música naquele momento a deixou ansiosa... Tentou escrever um pouco, mas não sentia o pincel.
Observava a noite pela persiana e sentia um vazio grande. Mas dessa vez, diferente do que sempre foi, não era um vazio autocentrado que existia por si, era mais a percepção do vazio em função da tremenda necessidade de "preencher". Tremenda. Mas não há ninguém. Pelo menos não agora. Será que é dessa "falta" que as pessoas falam? Não sabia.
De qualquer forma, já passava da uma da manhã quando decidiu que iria dormir. Checou o fogão, as janelas, a porta... "Cáspita, eu tenho certeza que acabei de catar os envelopes do chão!". Olhando melhor, com a luz acesa no corredor do prédio, percebe que esse envelope fora colocado nauquele momento. "Merda, eu odeio mala-direta".
"Menina,
Teu corpo parece grande, mas eu vejo o quanto é delicado, sinuoso, quase inseguro. Teu espirito parece forte, mas eu vejo que tem brechas, muitas brechas escondidas pro mundo. Mas não pra mim.
Meia-noite de uma bela noite. A noite perfeita. Entro na sua casa às 2:15am e na sua vida logo depois.
Eu sei que eu posso. A porta vai estar aberta."
Ela sorriu. Surpresa não seria bem o termo, no fundo ela sabe que essa é a ordem que as coisas devem seguir. Por mais insólita que pareça, a noite foi feita para os sonhos. Zhuang Zi e sua borboleta vieram a sua mente.
Sono e estrelas: por via das dúvidas, ela voltou à sala, destrancou a porta, apagou as luzes e dessa maneira, concretizou a realidade que precisava. Ou o sonho. Não importa.
quarta-feira, março 02, 2005
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"omini festinatio ex parte diabli est"

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