_Sonho estranho o dele.
_É, sabe lá o que vc está fazendo "nascer". Bom, até quinta.
_Até quinta.
Ela seguiu andando e pensando: mesmo agora que tudo está morno e sua atenção está voltada em cuidar e nutrir o que tem, essa chamada inconsciente a perturbou.
Não com a mesma intensidade de antes, afinal, antes ela investia no que acreditou ser a única experiência que realmente valeria. E talvez fosse a sua última tentativa de sentir-se como todo mundo, com suas paixões e tesões. Mas as coisas tomaram outro rumo, um rumo que ela ainda não tentara entender.
O carinho que ela achava que era mais seguro dos sentimentos, percebe ser o mais dificil deles. E que já vai ter muito trabalho tentando entendê-lo e aplicá-lo em sua vida. Está feliz com isso. Está feliz com os resultados até agora. "Ele se condensa no ar, e, vapor azul e verde, entra pela minha boca. Isso de forma alguma é ruim. Não é como Orfeu e Eurídice...". Aos poucos ela vai encontrando o caminho.
Mas há sempre a outra possibilidade. "sabe lá o que vc está fazendo nascer nele"... Ela tem um pouco de receio de que essa tranquilidade passe. Porque no fundo, bem no fundo, duas mulheres ainda existem, e uma delas continua perigosa. Ela ainda não sabe se essa está sendo transformada ou subjulgada.
De qualquer forma, enquanto a tranquilidade continua, ela chega em casa, se sente em paz, dorme. E sonha com os problemas do trabalho.
terça-feira, março 15, 2005
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"omini festinatio ex parte diabli est"

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