sexta-feira, maio 06, 2005

Juta

_Fecha meus olhos.

_O quê?!

(ela sabe que tudo que passar atravéz deles será analisado, dissecado e classificado. E nesse momento tudo que ela precisa é apenas sentir e deixar ir.)

Ele pega a primeira coisa que vê na frente com uma certa afobação, porque sabe que essa chance não irá se repetir. Enquanto amarra a tira de juta crua, áspera, ele observa em silêncio. Uma vez fechada essa "janela" ele perde a pressa, se sente mais íntimo.
Rodeia essa imagem nova e a puxa do banco alto de forma brusca deixando-a em pé no meio da sala. Essa imagem indefesa lhe agrada. Nesse momento ele pode ver. Ele é o senhor.

Sem seus olhos, ela se sente pequena. Está nua sem estar. É apenas uma mulher.
E agora, pode ouvir os passos lentos e abafados a sua volta. Sente o ar na sua nuca: ele está bem perto e toca de leve a blusa dela ordenando, baixo, que a tire de vez.

Ela se permite obedecer, sem saber direito onde está, e desabotoa a blusa de tecido frio devagar desenhando em sua mente as sensações e o corpo que agora, ela sabe que tem.

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"omini festinatio ex parte diabli est"