Os pelos brilhavam negros, sedosos.
Ela sempre se encantou com isso e, raspando a unha no tecido áspero do sofá, seguia provocando o bichano. Gosta de sentir os dentinhos nos dedos, enquanto as patas seguravam sua mão, brincalhonas. Essa falsa luta. Ele sabia o quanto lhe aprazia a sensação e exatamente por isso ficava lá, imóvel. Criando tensão. Muito tempo, como se nem percebesse que ela estava ali. E no momento em que ela esquecia, ele vinha majestoso, pulando, arqueado e atacava. Voraz. Brincalhão.
Brincalhão? Não sabia. “Ele sabe o momento de atacar”. Conclui: “Eu ainda não”
E divaga : “Ah, rapaz” pensa “ Você pensa que está fora da minha mira? Engana-se. Você nunca estará. Com certeza não. Eu estou um pouco cansada, mas continuo voraz. Criando tensão, aprendendo a atacar... Questão de tempo...”
Pega o bichano no colo, como a um nenê, imobilizando-o. Só pra ela....
domingo, fevereiro 06, 2005
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"omini festinatio ex parte diabli est"

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